Ary Ferreira de Aguiar (Monsenhor)


Monsenhor Ary Ferreira de Aguiar

Data de Nascimento: 12 de 07 1922
Ordenação: 07 de 12 1947
Data de Falecimento: 08 de 08 2013
Nasceu em: Juquiá SP
País: Brasil

VELÓRIO E EXÉQUIAS DE MONSENHOR ARY
Santos, 8 de agosto de 2013,
A Cúria Diocesana de Santos informa com grande pesar o falecimento de monsenhor Ary Ferreira de Aguiar, aos 91 anos, nesta quinta-feira, 8 de agosto de 2013, às 13 horas, no hospital Beneficência Portuguesa, em Santos. Monsenhor Ary havia dado entrada no hospital na quarta-feira, com Pneumonia, vindo a falecer em decorrência do agravamento desse quadro. Monsenhor Ary já estava bastante debilitado fisicamente, tendo m vista as sequelas de um acidente vascular cerebral ocorrido em 1997.
O velório será realizado na Paróquia S. Benedito (a última paróquia em que atuou como pároco) – Av. Afonso Pena, 350 (Macuco-Santos) nesta quinta-feira, a partir das 17 horas. A missa de Exéquias será celebrada nesta sexta-feira, 9/8, às 9h, na mesma igreja.
O sepultamento acontece às 10h30 no Cemitério Memorial, em Santos.
A missa de sétimo dia será na Paróquia São Benedito, dia 15 de agosto de 2013, quinta-feira, às 19h.

Confiantes na grande misericórdia de Deus, que Ele receba Mons. Ary em sua morada eterna.
Na Paz de Jesus,
Pe. Elcio Antonio Ramos – Vigário Geral da Diocese de Santos

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Filho de Maria Antonia de Aguiar e Antonio Ferreira de Aguiar, Monsenhor Ary nasceu em 12 de julho de 1922 em Juquiá. No município, passou a infância frequentando a Paróquia Santo Antônio.

Ary Ferreira de Aguiar nasceu em Juquiá, SP, no dia 12 de julho de 1922. Com seus pais, Maria Antônia de Aguiar e Antônio Ferreira de Aguiar (tabelião), frequentava a Paróquia Santo Antônio no município em que nascera. Teve como irmãos Ciro, Lino, Paulo, Helio, Levi, Honorina e Santina.
Como não tivesse oportunidade de dar continuidade aos estudos após a Escola Primária em sua terra natal, padre Paschoal Cassesi intercedeu para que Ary, então com 13 anos, ingressasse no Seminário dos Padres Paulino, recém-chegados da Itália ao Brasil, ficando até 1938, quando ingressou no Seminário Diocesano de Santos.
Monsenhor Ary revelou certa vez que Pe. Paschoal Cassesi era sua inspiração e que desejava ser um dia “como ele, que atendia inúmeras capelas em Miracatu e Juquiá, usando o trenzinho da Sorocabana como transporte, além de canoas e cavalos”.
Monsenhor Ary foi ordenado sacerdote em 7 de dezembro de 1947 pelas mãos de Dom Idílio José Soares, bispo de Santos na época. A Palavra que escolheu para guiar seu sacerdócio foi tirada do livro do Profeta Jeremias “Seduziste-me, Senhor, e fui seduzido” (Jr 20, 7-9).
Nos dois primeiros anos de sacerdócio, padre Ary foi vigário da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, em Santos, e de 1948 a 1951 trabalhou como Ecônomo da Diocese e professor no Seminário São José.
Como Vigário Paroquial passou ainda pelas paróquias Nossa Senhora de Fátima (Santos), Nossa Senhora da Conceição (Itanhaém), São Judas Tadeu (Santos) e Nossa Senhora Aparecida (Santos).
Monsenhor Ary foi ainda Capelão das Missionárias de Jesus Crucificado, pároco da Catedral Nossa Senhora do Rosário, Chanceler Diocesano, Capelão das Casas do Senhor e de Nossa Senhora, Diretor Espiritual do Seminário Diocesano, procurador da Mitra Diocesana, Assessor Eclesiástico da Juventude Independente Católica e Juventude Operária Católica e diretor espiritual das equipes de Nossa Senhora.
Como Pároco, tomou posse da paróquia São Benedito, em Santos, onde ficou de 1968 a 1975. Em 1985, tornou-se pároco da paróquia Jesus Crucificado onde ficou até 1993. Neste mesmo ano, retornou como Pároco da São Benedito, quando, em 1997 passou a atuar como pároco emérito.
Em meados de 1997, Monsenhor Ary sofreu dois acidentes vascular cerebral, que comprometeram significativamente sua saúde, impossibilitando-o para a atividade pastoral. Depois do primeiro acidente, ele passou a morar com o casal Janice e Pasqual, membros da paróquia São Benedito, recebendo todos os cuidados para sua recuperação. Mas em decorrência do segundo avc foi transferido para a Beneficência Portuguesa e em 2003, passou a morar na recém-construída Casa S. José, criada com a finalidade de acolher os padres idosos de nossa Diocese.
Levando uma vida muito discreta e sendo um homem de silêncio, há poucos registros escritos da vida e obra de Mons. Ary. Um dos poucos escritos é este encontrado na revista comemorativa de 50 anos do Seminário Diocesano S. José:

“Revista Comemorativa dos 50 anos – Seminário São José (Março de 1998 – Pág 34.)
Devo dizer, inicialmente, que sou fruto indireto da graça de Deus. Sempre gostei de estudar, mas não teria possibilidades de prosseguir além dos três anos de escola primária da minha terra.
Meu pai deve ter manifestado sua frustração ao Pe. Vigário (Paschoal Cassesi) e ele, atendendo ao apelo do sangue italiano, prontificou-se a me colocar nos Paulinos, recém-chegados ao Brasil.
E lá fui eu, ribeirinho, aos treze anos, conviver com padres italianos. Lembro-me, que logo nos primeiros dias, um carro pegou fogo no posto de gasolina que ficava em frente ao Seminário. E quando um italiano contava ao outro, dizia “brucia, brucia” eu ficava me perguntando: será que é hoje o dia das bruxas?
Mas, deixando de lado o folclore, lá fiquei um ano. Neste tempo o Pe. Cassesi já falara com o novo bispo de Santos, Dom Paulo de Tarso, que apoiou as manobras para me passar para o Seminário de Pirapora, onde estudavam os seminaristas da Diocese.
Assim, os Paulinos perderam um jornalista e a Diocese começou a investir num futuro Monsenhor.
Aí, o exemplo do Pe. Cassesi foi me contaminando e eu fui assumindo a ideia de ser um dia como ele (Pe. Cassesi atendia, na época, Prainha (hoje, Miracatú) e Juquiá, com inumeráveis capelas e apenas o trenzinho da Sorocabana como condução. Eu o via, sentado no fundo de canoas, montado a cavalo, e a pé, com pesada mala nos ombros, subindo e descendo do trem em movimento).
Então assumi a vocação e com dístico orientador do meu sacerdócio, escolhi a palavra do profeta Jeremias: “Seduxisti me, Domine, et seductus sum”. É: Seduziste- me, Senhor, e fui seduzido (Jer 20, 7).
N.B Se tivesse conhecido a tradução que a Bíblia CEB apresenta, certamente não teria usado essa frase. A sonoridade do latim e a maneira como Deus age em nossa vida, me levaram a isso.”

CRONOLOGIA

24/fev/38 – Ingressou no Seminário Diocesano de Santos;
30/set/45 – Recebeu a ordem da Tonsura no Seminário Central/São Paulo pelas mãos de Dom Idílio José Soares;
23/fev/47 – Recebeu a ordem do Subdiaconato no Seminário Central/São Paulo pelas mãos de Dom Idílio José Soares;
02/mar/47 – Recebeu a ordem do Diaconato no Seminário Central/São Paulo pelas mãos de Dom Idílio José Soares;
07/dez/47 – Foi ordenado sacerdote pelas mãos de Dom Idílio José Soares;
1948 a 1951 – Tornou-se por anos Ecônomo e Professor do Seminário Diocesano São José;
jun/48 a jun/49 – Tornou-se vigário cooperador da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia/Santos;
1950 a 1952 – Tornou-se vigário auxiliar da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia/Santos;
1951 a 1962 – Tornou-se Capelão das Missionárias de Jesus Crucificado;
1952 a 1953 – Tornou-se vigário da Paróquia Nossa Senhora de Fátima/Santos;
1953 a 1956 – Tornou-se vigário em Eldorado Paulista;
1956 a 1960 – Tornou-se vigário da Paróquia Nossa Senhora da Conceição/Itanhaém;
1960 a fev/61 – Tornou-se cura da Catedral Nossa Senhora do Rosário;
1962 a 1965 – Tornou-se Chanceler da Chancelaria Diocesana, Capelão das Casas do Senhor e de Nossa Senhora, Diretor Espiritual do Seminário Diocesano São José, Procurador da Mitra Diocesana e Assessor Eclesiástico da Juventude Independente Católica e Juventude Operária Católica;
19/fev/64 a 1968 – Tornou-se vigário ecônomo da Paróquia São Judas Tadeu/Santos;
1968 a 07/mar/75 – Tornou-se paróco da Paróquia São Benedito a 23/jun/77;
24/jun/77 a 1985 – Tornou-se vigário substituto da Paróquia Nossa Senhora Aparecida/Santos;
1985 a 1993 – Tornou-se pároco da Paróquia Jesus Crucificado/Santos;
12/dez/81 a 1991 – Tornou-se Diretor Espiritual Diocesano das Equipes de Nossa Senhora;
1991 a 1993 – Tornou-se Diretor Espiritual do Seminário Diocesano São José;
1993 a 25/out/97 – Tornou-se paróco da Paróquia São Benedito;
26/out/97 – Tornou-se pároco emérito da Paróquia São Benedito/Santos;
01/abr/03 – Transferiu-se para a Casa São José do Padre Idoso.