Canonização de Ir. Dulce


Bênção da Capela Ir. Dulce dos Pobres, no dia 14/10/19, em S. Vicente, por d. Tarcísio Scaramussa,SDB, Bispo Diocesano de Santos

Canonização de Ir. Dulce
D. Tarcísio Scaramussa,SDB
Acontecimento significativo neste mês Missionário Extraordinário é a canonização da Ir. Dulce. Será declarada santa pelo Papa Francisco no dia 13 de outubro, durante a realização do Sínodo para a Amazônia, tornando-se a primeira mulher brasileira nascida no Brasil a ser declarada santa. A canonização se dá após o reconhecimento do milagre da cura do maestro José Maurício Bragança Moreira, que, com a intercessão da Ir. Dulce, voltou a enxergar mesmo não sendo considerado curado pela medicina. O processo de canonização de Irmã Dulce acontece após 27 anos apenas de sua morte. Com a canonização, ela passa a ser invocada como Santa Dulce dos Pobres. O dia litúrgico da Santa Dulce dos Pobres será celebrado em 13 de agosto.
Irmã Dulce nasceu em 26 de maio de 1914, em Salvador, e recebeu o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. Aos sete anos, perde sua mãe Dulce, que era uma jovem de apenas 26 anos de idade.
A vocação para trabalhar em benefício da população carente teve a influência direta da família, uma herança do pai que ela levou adiante, com o apoio decisivo da irmã, Dulcinha. Aos 13 anos, a pequena Maria Rita passou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família num centro de atendimento. Nessa época já manifestava o desejo de ser religiosa. Após formar-se como professora entra então para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em 1933, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe e adota, em homenagem à sua mãe, o nome de Irmã Dulce.
Ir. Dulce foi uma mulher cheia de iniciativas, empreendedora mesmo. Em 1936, com 22 anos, fundou a União Operária São Francisco, juntamente com frei Hildebrando Kruthaup. Deve-se também à Irmã Dulce a criação do Colégio Santo Antônio, voltado para os operários e suas famílias. Importante também foi a sua participação na criação de um albergue para doentes, localizado no convento de Santo Antônio, o que depois iria se transformar no Hospital Santo Antônio, que atende diariamente mais de cinco mil pessoas. Suas obras de caridade são referência nacional, e ganharam repercussão pelo mundo. Seu nome é sempre relacionado à caridade e amor ao próximo. Mesmo com a saúde frágil, Irmã Dulce construiu e manteve uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país — as Obras Sociais Irmã Dulce. O “anjo bom da Bahia”, como era chamada, morreu aos setenta e sete anos no dia 13 de março de 1992. Foi beatificada pelo Papa Bento XVI, no dia 10 de dezembro de 2010,
O Arcebispo de Salvador, Dom Murilo, ressalta que esta canonização passa a ser um compromisso para que todos repitam os gestos de Ir. Dulce e busquem a santidade. “Irmã Dulce, afirma, veio nos dizer que cada época tem seus santos, mas em uma coisa todos os santos são semelhantes: no amor a Deus e no amor e dedicação ao próximo, especialmente aos preferidos de Jesus, os mais pequeninos”.
Na arquidiocese de São Salvador haverá uma celebração após a canonização, no dia 20 de outubro, na Arena Fonte Nova, às 16h.
Acompanhemos todos estes acontecimentos como momento de graça em nossa Igreja. Em nossa Diocese de Santos, como ação de graças a Deus por esta canonização, celebrarei uma Missa na inauguração da Capela de Santa Dulce, na Casa das Irmãs da Comunidade Fraternidade O Caminho, em São Vicente, no dia 14 de outubro, às 19h30.
Termino citando três ensinamentos de Ir. Dulce:
“Miséria é a falta de amor entre os homens”.
“Há momentos em que nos sentimos abandonados porque nos esquecemos da onipotência de Deus. Ele tudo vê. Então é preciso acreditar e ter a certeza que nada é impossível aos olhos d’Ele”.
“O amor supera todos os obstáculos, todos os sacrifícios. Por mais que fizermos, tudo é pouco”.