“Vós sois o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5,13-14)

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A “Igreja em saída” somente será efetiva com o testemunho de fé do laicato e sua participação na missão evangelizadora da Igreja. A participação entusiasta na Assembléia Diocesana (realizada no dia 31 de outubro, em Santos), refletindo e partilhando sobre as “urgências da missão”, vem reforçar esta convicção e necessidade. O rosto de uma Igreja acolhedora, misericordiosa e missionária vai se tornando mais brilhante à medida em que todos os batizados manifestam a alegria do evangelho que brota do encontro com o Senhor Ressuscitado.
A reflexão sobre a identidade e a missão dos leigos e leigas na Igreja está ocupando lugar de destaque em nossa agenda pastoral e a Festa de Cristo Rei, onde comemoraremos o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas (22/11), é um momento eclesial oportuno para ressaltar a vocação e a missão de todos os batizados, e a sua participação no tríplice múnus de Jesus Cristo, sacerdote, profeta e Rei.
A reflexão sobre a identidade e a missão dos Leigos e Leigas na Igreja já avançou muito. Percebemos também muitos avanços na participação e engajamento nas pastorais, principalmente nas pastorais intraeclesiais, como reflexo de uma consciência nova de ser discípulo de Cristo e participante ativo da comunidade eclesial. Os milhares de leigos catequistas de crianças, jovens e adultos dão visibilidade nítida para esta realidade. E não é necessário mencionar o que acontece com outras pastorais e movimentos, ou o que não acontece, nas situações em que os leigos não estão envolvidos!
Talvez não possamos afirmar os mesmos avanços com relação à consciência, participação e engajamento dos fiéis leigos e leigas como Igreja “no mundo”, na família, nos ambientes não eclesiais, no espaço laico da sociedade, nos ambientes profissionais, nos meios de comunicação, no campo da educação, da cultura, da política, entre outros. A interação fé-vida é um princípio ainda não bem assimilado e vivenciado. A atuação nestas realidades deveria distinguir os fiéis leigos por uma presença que revele um diferencial com relação aos que não são movidos pela fé. Estas formas de engajamento devem ser mais consideradas também nos processos de iniciação à vida cristã, em momentos fortes como o da preparação para a Crisma e de outros sacramentos, para reconhecer tantas outras formas de engajamento na missão da Igreja em meio à sociedade.
O cristão é fermento, sal e luz transformando o mundo de acordo com os critérios do Reino de Deus.
Acreditamos que a Assembleia Diocesana, com todo o caminho de preparação que a antecedeu, foi um momento do Espírito Santo em nossa Igreja, e queremos corresponder à divina inspiração que ilumina nosso caminho. Colhemos muitas indicações de como “sermos uma Igreja acolhedora, missionária, misericordiosa na Baixada Santista”. Vamos seguir neste caminho de conversão pessoal e pastoral, em clima de escuta da Palavra de Deus e de oração, partilhando a fé em comunidade, em torno da Eucaristia, e sendo presença solidária entre os pobres.
Neste sentido, vamos elaborar o Plano de Pastoral para os próximos quatro anos, e traçar linhas e projetos concretos de ação para a nossa missão evangelizadora. “Todos somos convidados a aceitar este chamado: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho”, nos anima o Papa Francisco (EG 20).
Esse “todos somos chamados” do Papa indica que, além dos bispos, padres e religiosos, todos os leigos e leigas são chamados, e se tornam a principal força da Igreja para alcançar as periferias existenciais.
Em comunhão com a Igreja no Brasil, nosso objetivo é “evangelizar, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino Definitivo”.