SANTOS-SP É ORIGEM DE UM POSSÍVEL MILAGRE DE MADRE TERESA DE CALCUTÁ

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(Pe. Caetano, Mons. Sarno, D. Tarcísio, Pe. Brian, Sr. Waldery e Pe. Vagner Argolo)

No dia 19 de junho de 2015 foi instalado na Diocese de Santos, São Paulo, Brasil, o Tribunal sobre a Causa da Bem-Aventurada Teresa de Calcutá, responsável pelo Inquérito Diocesano de um possível milagre atribuído à intercessão da Bem-Aventurada, acontecido na cidade de Santos em meados de 2008. A Sessão de abertura foi realizada na Capela São João Maria Vianney, da Residência Episcopal, sendo iniciada por uma oração, presidida por Dom Tarcísio Scaramussa,SDB, Bispo Diocesano, da qual participaram também Dom Jacyr Francisco Braido,CS, Bispo Emérito de Santos, Irmãs Missionárias da Caridade (Congregação fundada por Madre Teresa), e demais membros do Tribunal listados abaixo. No início da oração pediu-se a assistência do Espírito Santo para a condução dos trabalhos, seguido de cantos de louvor, breve Leitura (2Cor 12,9b-10),encerrando com a bênção dada pelo Bispo Diocesano.
Em seguida, os membros do Tribunal dirigiram-se à Sala de Audiência para a audição das testemunhas médicas, religiosas e civis e do miraculado. Participaram do Tribunal os senhores Mons. Robert Sarno, Presidente do Tribunal, Dr. Waldery Hilgeman, Notário, Padre Dr. Caetano Rizzi, Vigário Judicial da Diocese de Santos e Promotor de Justiça, Padre Vagner Argolo de Sousa, Chanceler do Bispado, Notário Adjunto; Padre Giancarllo Rizinelli,CS, Auxiliar de Tradução. Padre Brian Kolodiejchuk,CM, Postulador da Causa de Canonização de Madre Teresa também esteve na Diocese durante o Tribunal.
Ao se concluir o processo diocesano, no dia 26 de junho, a documentação foi transferida para Roma, para a Congregação para as Causas dos Santos, que tem como primeira tarefa conferir validade canônica aos documentos redigidos, reconhecendo o desenvolvimento correto da investigação. Tendo por base essa documentação, reconhecida e sancionada pelo Decreto sobre a validade jurídica, será aberta a segunda fase do processo em Roma.
“O caso de cura de N. chegou à postulação em 2015, entre as muitas cartas em que são contadas graças recebidas por intercessão da Bem-Aventurada Madre Teresa. O Caso de Santos foi considerado digno de atenção por apresentar elementos válidos para a instrução de um processo. Depois das devidas investigações preliminares e da avaliação da documentação médica encaminhada, o inquérito sobre o caso foi aberto em junho deste ano, mas será preciso esperar a certificação e a conclusão de todo o processo para poder considerá-lo, para todos os efeitos, um milagre. Só quando, discutidas e avaliadas todas as provas reunidas no inquérito diocesano a respeito do fato prodigioso em si e da atribuição desse fato à intercessão da Bem-Aventurada Madre Teresa, é que a Congregação para as Causas dos Santos o certificará e, mediante um ato jurídico sancionado pelo Papa, o reconhecerá definitivamente como verdadeiro milagre”, explica Monsenhor Sarno.
“Portanto, é preciso lembrar o que devemos entender por milagre, esclarecer que importância um milagre tem nas causas de canonização e como se desenvolve o processo para seu reconhecimento”, completa Pe. Caetano Rizzi.
O que é um milagre?
Na Summa theologiae, Santo Tomás define milagre “aquilo que é feito por Deus fora da ordem da natureza”. Consideramos, portanto, milagre um fato que supera as forças da natureza, que pode ser realizado por Deus por intercessão de um servo de Deus ou de um beato.
As formas assumidas por um milagre têm as seguintes características: o milagre pode superar as capacidades da natureza quanto à substância do fato, quanto ao sujeito ou apenas quanto ao modo de se produzir.
A necessidade de milagres nas causas de canonização
Sem a aprovação de milagres ocorridos por intercessão de um candidato à honra dos altares, um processo de canonização não pode ser concluído. A beatificação de um servo de Deus não-mártir e a canonização de um beato estão vinculadas ao reconhecimento de um milagre. Atualmente, para a beatificação de um servo de Deus não-mártir, a Igreja exige um milagre; para a canonização (mesmo de um mártir), é necessário mais um. Apenas os milagres atribuídos à intercessão de um servo de Deus ou de um beato post mortem podem ser objeto de certificação.
Ao longo dos séculos, a certificação e o reconhecimento dos milagres por parte da Igreja sempre tiveram uma relevância central. Desde o início, quando os bispos tinham de permitir ou não o culto a um não-mártir, antes de avaliar a excellentia vitae e as virtudes, consideravam as provas da excellentia signorum (sinais de excelência), pois os milagres, enquanto obra apenas de Deus, dom gratuito de Deus, sinal certíssimo da revelação, destinado a suscitar e reforçar nossa fé, são também uma confirmação da santidade da pessoa invocada. Numa causa de canonização, eles representam uma sanção divina a um juízo humano, e seu reconhecimento permite dar, com segurança, o consentimento ao culto.
Para a certificação dos milagres, é necessário abrir um inquérito, um processo que corre paralelamente ao que é feito a respeito das virtudes ou do martírio.
Como se desenvolve o processo jurídico de certificação
O processo para o reconhecimento de um milagre segue as normas estabelecidas em 1983 pela constituição apostólica Divinus perfectionis Magister. A legislação define dois momentos processuais: o diocesano e o da Congregação para as Causas dos Santos, chamado romano. O primeiro, é realizado na Diocese em que ocorreu o fato prodigioso. O bispo abre a instrução sobre o presumido milagre, em que são reunidos os depoimentos das testemunhas oculares interrogadas por um Tribunal devidamente constituído e a documentação médica e instrumental completa relativa ao caso. No segundo momento, que se abre depois do encerramento do inquérito diocesano, a Congregação examina o conjunto de documentos enviados e uma eventual documentação suplementar, e depois pronuncia o juízo sobre o mérito da questão.

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(Pe. Elmiran Ferreira)
O contato de N. com a Beata Madre Teresa deu-se por intermédio de Padre Elmiran Ferreira, pároco da Paróquia N. S. Aparecida, em São Vicente. Ele conta como isso aconteceu:
“Eu já cohecia a família de N, pois a mãe de sua esposa era catequista na paróquia. Acompanhei toda a trajetória da vida do casal e quando a doença se manifestou, eu fui visitá-lo no hospital. Vi a dor e o sofrimento de toda a família, pois eles estavam iniciando uma vida nova (recém-casados) e a doença ia retardando muitos sonhos. Então, eu já tinha uma devoção muito grande a Madre Teresa, sempre rezo a santa Missa na Casa das Irmãs, em Santos, e a maneira como Madre Teresa enfrentava a dor, o sofrimento, e via nisso o sofrimento do próprio Cristo me inspirava a entender também o sofrimento daquela família. Dei a oração de Madre Teresa para eles rezarem insistentemente. E eles o fizeram. Madre Teresa tornou-se conforto e alento naquela longa jornada. Assim, quando se verificou a completa recuperação de sua saúde, e que os médicos, não sabiam explicar, eu entendi que ali estava a mão da Bem-Aventurada. Narrei o fato para as Irmãs e elas levaram ao conhecimento de sua Superiora e, por sua vez também, o médico que cuidou de N. em Santos foi o mesmo que cuidou do Papa Francisco, na Jornada Mundial da Juventude, em 2013, e também narrou o caso para ele. Sua Santidade tomou para si o desejo de estudar melhor o caso e, por isso, os responsáveis de Roma vieram a Santos”.