6ª – DIMENSÃO ECUMÊNCIA E DO DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

6ª SESSÃO SINODAL

DIMENSÃO ECUMÊNCIA E DO DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO[1]

1.- Introdução

No segundo semestre de 1998, durante a caminhada sinodal foi iniciado o estudo da Dimensão Ecumênica e do Diálogo Inter – Religioso do Sínodo Diocesano. A coordenação da Comissão Sinodal escolheu algumas pessoas para integrarem a equipe que iria elaborar o plano de trabalho para esta etapa.
Na primeira reunião de trabalho deste grupo, ficou a certeza de que seria um momento delicado da caminhada pelo quase total desconhecimento de todos sobre o tema. A equipe definiu o plano de trabalho abaixo indicado:
1ª etapa
objetivo: Levantar dados sobre o Ecumenismo em nossas comunidades e em nossa diocese, para ter uma visão de conjunto da realidade e do lugar de onde deveremos partir para elaborar uma orientação diocesana sobre a ação ecumênica.
justificativa: É preciso conhecer o que nossas comunidades sabem de ecumenismo, para melhor responder aos anseios e questionamentos que nascem dentro das próprias comunidades. Conseguir, então, melhor conhecimento para desenvolver um trabalho que responda as necessidades reais da diocese.
meios: a) estudo e conhecimento dos documentos sobre o ecumenismo;
b) Pesquisa – o que sabemos sobre ecumenismo?
2ª etapa
objetivo: Levantar pistas de ação para a Dimensão Ecumênica na diocese.
justificativa: Com as sugestões do Agir enviados pelas comunidades, ter em nossa diocese um documento que dê as orientações da ação ecumênica, de forma que se possa caminhar em unidade diocesana na diversidade das realidades paroquiais e regionais.
meios: a) indicar pistas de ação diocesana com base nas diretrizes emanadas pela Sé Apostólica e pela Igreja no Brasil;
b) roteiro de trabalho;
c) Assembléias Paroquial e Regional
3ª etapa
objetivo: Dar forma final e aprovar o texto do Subsídio para a Ação Ecumênica
justificativa: Momento importante da Igreja Diocesana, a criação de um subsídio que dará apoio para o desenvolvimento do trabalho na área do ecumenismo na diocese.
meios: a) Na primeira parte da Sessão Sinodal, palestra de um convidado sobre o tema ecumenismo;
b) Trabalho em grupo para estudo e elaboração de perguntas para o expositor;
c) Plenário para as respostas dos questionamentos levantados.
Ao término da Sessão Sinodal ficou decidido em plenário, que não se iria propor prioridades para esta dimensão tendo em vista o pouco conhecimento sobre a mesma. Ficou acertado que se faria uma proposta para o início do trabalho da equipe diocesana de ecumenismo.
Os trabalhos sinodais desta dimensão foram iniciados na reunião da Comissão Central do Sínodo realizada em novembro de 1998, quando foram apresentadas as pessoas que integrariam a Subcomissão.

2.- Fundamentação Teológica

“Por muitos títulos a Igreja sabe-se ligada aos batizados que são ornados com o nome de cristão, mas não professam na íntegra a fé ou não guardam a unidade da comunhão sob o Sucessor de Pedro. Muitos deles honram a Sagrada Escritura como norma de fé e de vida. Mostram sincero zelo religioso. Crêem no amor em Deus Pai Onipotente e em Cristo Filho de Deus Salvador. São assinalados pelo Batismo no qual se unem a Cristo. E até reconhecem e aceitam outros sacramentos nas próprias Igrejas ou comunidades eclesiásticas. Não poucos dentre eles possuem mesmo o Episcopado, celebram a Sagrada Eucaristia e cultivam a piedade para com a Virgem Mãe de Deus. Acresce a comunhão das orações e outros benefícios espirituais. Temos até com eles certa união verdadeira no Espírito Santo, que também neles opera com Seu poder santificante por meio de dons e graças,,, tendo fortalecido a alguns deles até com à efusão de sangue. Assim o Espírito suscita em todos os discípulos de Cristo o desejo e a ação, para que todos, pelo modo estabelecido por Cristo , se unam pacificamente em um só rebanho sob um único Pastor. Para obter isto a Mãe Igreja não deixa de rezar, esperar e agir. E exorta seus filhos à purificação e à renovação, a fim de que brilhe mais claro o sinal de Cristo sobre a face da Igreja.”[2].
“No entanto o Senhor dos séculos, que sábia e pacientemente continua realizando o propósito de sua graça em favor de nós pecadores, nestes últimos tempos começou por derramar, mais abundantemente, sobre os Cristãos separados entre si a compunção de coração e o desejo de união. Muitos homens, por toda parte, sentiram o impulso desta graça. E também, por obra do Espírito Santo, surgiu, entre nossos irmãos separados, um movimento sempre mais amplo para restaurar a unidade de todos os Cristãos. Este movimento de unidade é chamado movimento ecumênico[3]. Dele participam os que invocam o Deus Trino e confessam a Jesus como Senhor e Salvador, não só individualmente, mas também reunidos em assembléias, onde ouviram o Evangelho, e que declaram, cada um, ser sua Igreja e a de Deus. Quase todos, porém, embora diversamente, desejam uma Igreja de Deus, una e visível, que seja verdadeiramente universal e enviada ao mundo inteiro a fim de que o mundo se converta ao Evangelho e assim seja salvo para a glória de Deus.”
As Diretrizes da Ação Pastoral da Igreja no Brasil nos dizem o seguinte:
“O testemunho missionário da Igreja procede da sua tendência dinâmica a ser, ao mesmo tempo, una e católica. Só assim ela pode constituir-se na terra “o germe e o início do Reino de Cristo e de Deus”, Reino único e universal. Por outro lado, o principal motivo de credibilidade do seu testemunho é a unidade dos seus membros.
Para que todos creiam que o Pai enviou seu Filho ao mundo é preciso que todos os discípulos de Jesus sejam “perfeitos na unidade”. Diante da lastimável divisão dos cristãos em confissões e Igrejas diferentes, “escândalo para o mundo”, a Igreja, una e católica, sente a urgência de buscar o diálogo com as outras Igrejas cristãs em vista do crescimento da comunhão visível sob o único bom pastor, Jesus.
“Este movimento de unidade é chamado de movimento ecumênico. Dele participam os que invocam o Deus Trino e confessam a Jesus como o Senhor e Salvador, não só individualmente, mas também reunidos em Assembléia, onde ouviram o Evangelho, e que declaram, cada um, ser sua Igreja e de Deus”.
Esse diálogo, próprio da dimensão ecumênica, acabou se estendendo, nas devidas proporções e formas, às outras religiões e a quantos estão à procura da Verdade, mesmo “às apalpadelas”.
O diálogo religioso – ou mais propriamente inter-religioso – aproxima-se pedagogicamente do diálogo ecumênico. No mundo pluralista e secularizado de hoje, por vezes fechado à transcendência, importa unir esses dois tipos de diálogo para uma abertura “àquele supremo e inefável mistério que envolve nossas existências, donde nos originamos e para o qual caminhamos”.
No diálogo religioso (ou inter-religioso), distinto do diálogo ecumênico, exige-se reconhecer a peculiaridade da relação dos membros de cada uma das religiões com a Igreja de Cristo. Merece atenção especial o diálogo com os Judeus que têm em comum com os cristãos “um tão grande patrimônio espiritual”.’

3.- Orientações Sinodais

A 5ª Sessão Sinodal aconteceu no dia 29 de novembro de 1998 referendando a seguinte proposta:
Criar como orienta o Diretório Ecumênico,
a Equipe Diocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso.
À luz das reflexões havidas por ocasião do estudo e aprofundamento desta Dimensão, o Sínodo determina as seguintes normas:
1.- A Equipe Diocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso elaborará o planejamento geral e um planejamento anual, no qual deverão constar:
1.1.- objetivo geral;
1.2.- objetivos específicos;
1.3.- meios;
1.4.- formas de avaliação e revisão;
2.- Todas as Paróquias deverão realizar todos os anos na semana que antecede a festa de Pentecostes, a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”;
3.- A Equipe Diocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso planejará alguns encontros com Pastores das várias denominações seguindo o roteiro preparado pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC;
4.- O Delegado Diocesano para o Ecumenismo será nomeado pelo Bispo Diocesano por um período de 4 anos reconduzível uma vez;
5.- A equipe será organizada pelo Delegado Diocesano com aprovação da Autoridade Diocesana.
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[1] – DGAP. doc. 45, n. 96-100

[2].- Const. Dogmática Lumen Gentium, n15[41]

[3].- Cf. Decreto Unitatis Redintegratio, n. 4[766] que diz: Por ‘Movimento Ecumênico’ se entendem as atividades e iniciativas suscitadas e ordenadas em favor das várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos Cristãos